13.4.17

e porque domingo é pascoa


«Preocupo-me com os deuses. O meu tridente não enxerga divindades. Mesmo no céu, no último reduto que julgava possível eles já o abandonaram. É novo mistério para explicar, para filósofos e religiosos penetrarem no poder das cogitações. Emigrados na terra, sem mar e sem espaço os deuses ficam mais limpos, mais puros, apeados da parafernália dos domingos e feriados.»

Ruben A.

Woman


Photograph by Irving Penn




Par délicatesse

J'ai perdu ma vie.

A. Rimbaud
 Chanson de la plus haute Tour (mai 1872)


“Deep Throat”



o gajo da garganta funda


27.3.17

Toro Sentado

Toro Sentado by David F. Barry


Las edades de Toro Sentado

A los treinta y dos años, bautismo de fuego. Toro Sentado defiende a los suyos ante un ataque de tropas enemigas.
A los treinta y siete, su nación indígena lo elige jefe.
A los cuarenta y uno, Toro Sentado se sienta. En plena batalla, a orillas del río Yellowstone, camina hacia los soldados que disparan y se sienta en el suelo.
Enciende su pipa. Zumban las balas, como avispas. Él, inmóvil, fuma.

A los cuarenta y tres, se entera de que los blancos han encontrado oro en las Black Hills, en tierras reservadas a los indios, y han empezado la invasión.
A los cuarenta y cuatro, durante una larga danza ritual, tiene una visión: miles de soldados caen como saltamontes desde el cielo. Esa noche, un sueño le anuncia: Tu gente derrotará al enemigo.

A los cuarenta y cinco, su gente derrota al enemigo. Los sioux y los cheyennes, unidos, propinan tremenda paliza al general George Custer con todos sus soldados.
A los cincuenta y dos, tras unos años de exilio y cárcel, acepta leer un discurso de homenaje al tren del Pacífico Norte, que ha culminado la construcción de sus vías. Sobre el fin del discurso, hace a un lado los papeles y, encarando al público, dice:
—Los blancos son todos ladrones y mentirosos.
El intérprete traduce:
—Nosotros damos gracias a la Civilización.
El público aplaude.

A los cincuenta y cuatro, trabaja en el show de Buffalo Bill. En la arena del circo, Toro Sentado representa a Toro Sentado. Hollywood todavía no es Hollywood, pero ya la tragedia se repite como espectáculo.
A los cincuenta y cinco, un sueño le anuncia: Tu gente te matará.

A los cincuenta y nueve, su gente lo mata. Indios que visten uniforme policial traen orden de arresto. En el tiroteo, cae.



Eduardo Galeano.
Espejos. Una historia casi universal.



28.1.17

as mãos e os frutos




Homenagem


Pelo sonho é que vamos


Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama (1924 — 1952) 

poeta, professor, fundador da Liga para a Protecção da Natureza. 

O seu Diário, editado em 1958, é um interessantíssimo testemunho da sua experiência como docente e uma excelente reflexão sobre o ensino.


Sebastião Artur Cardoso da Gama
(Vila Nogueira de Azeitão, 10 de abril de 1924 — Lisboa, 7 de fevereiro de 1952)


27.1.17

blue is the colour




"Maybe the past is like an anchor holding us back. 
Maybe, you have to let go of who you were 
to become who you will be."

Anchors Away ; Carrie Bradshaw




25.1.17

Recomeçamos





«Biltres! Carrascos!
Mestres torturadores a soldo de príncipes!
Não compreendeis
Ao aquecerdes as vossas tenazes sobre as brasas?
Eu sou um asno!
Com o coração e o grito de um asno!
Nunca me renderei»!

Recomeçamos. Não nos rendemos.

Lars Gustafsson - A morte de um apicultor.
Ed. Asa 1992 trad. Ana Diniz

4.8.16

o mêdo global




MIEDO

Los que trabajan tienen miedo de perder el trabajo.
Y los que no trabajan tienen miedo de no encontrar nunca trabajo.
Quien no tiene miedo al hambre, tiene miedo a la comida.
Los automovilistas tienen miedo a caminar y los peatones tienen miedo de ser atropellados.
La democracia tiene miedo de recordar y el lenguaje tiene miedo de decir.
Los civiles tienen miedo a los militares. Los militares tienen miedo a la falta de armas.
Las armas tienen miedo a la falta de guerra. 

Es el tiempo del miedo.
Miedo de la mujer a la violencia del hombre y miedo del hombre a la mujer sin miedo.
Miedo a los ladrones y miedo a la policía.
Miedo a la puerta sin cerradura.
Al tiempo sin relojes.
Al niño sin televisión.
Miedo a la noche sin pastillas para dormir y a la mañana sin pastillas para despertar.
Miedo a la soledad y miedo a la multitud.
Miedo a lo que fue.
Miedo a lo que será.
Miedo de morir.
Miedo de vivir. 

Eduardo Galeano




12.5.16

no wine, no cry

Bob Marley
(6 de Fevereiro de 1945 — 11 de Maio de 1981)

Vocês riem-se de mim porque sou diferente.
Eu rio-me de vocês porque são todos iguais.



faz 35 anos que se ha ido

temos todos os motivos para não o esquecer

 

La Jornada


não sei se por ventura estás aqui


Capelinha das aparições dinamitada.
Cova da Iria, Fátima, Portugal. Março de 1922

26.12.15

Chanson de la plus haute Tour



Oisive jeunesse

À tout asservie,

Par délicatesse

J'ai perdu ma vie.

Ah! que le temps vienne

Où les cœurs s'éprennent.



Je me suis dit : laisse,

Et qu'on ne te voie : 

Et sans la promesse

De plus hautes joies.

Que rien ne t'arrête

Auguste retraite.



J'ai tant fait patience

Qu'à jamais j'oublie;

Craintes et souffrances

Aux cieux sont parties.

Et la soif malsaine

Obscurcit mes veines.
Ainsi la Prairie


À l'oubli livrée,

Grandie, et fleurie

D'encens et d'ivraies,

Au bourdon farouche

De cent sales mouches.



Ah! Mille veuvages

De la si pauvre âme

Qui n'a que l'image

De la Notre-Dame!

Est-ce que l'on prie

La Vierge Marie ?
Oisive jeunesse


À tout asservie,

Par délicatesse

J'ai perdu ma vie.

Ah! que le temps vienne

Où les cœurs s'éprennent.

Arthur Rimbaud > Chanson de la plus haute Tour (mai 1872)

Yemen. Aden, c.1880


YEMEN. A cidade portuária de Aden, cerca de 1880. 
Na esplanada frente ao Hôtel de l'Univers
Arthur Rimbaud é o segundo à direita.
Dizem que na figura de mercador
traficava armas ... e velhos poemas.
morre aos 37 anos num hospital em Marselha, 
vitima de sinovite num joelho,
depois um carcinoma no mesmo joelho, 
depois cortam-lhe a perna à altura do tal joelho
fosga-se... o homem não se aguentou

- Foto: AFP / Scanpix

23.12.15

Street Life

Raoul Hausmann's Postcard to I.K. Bonset, 1921

Breve historia del vino


Dudas razonables nos impiden saber si Adán fue tentado por una manzana o por una uva.
Sí sabemos, en cambio, que hubo vino en este mundo desde la Edad de Piedra, cuando las uvas ya fermentaban sin ayuda de nadie.
Antiguos cánticos chinos recetaban el vino para evitar las dolencias de los tristes.
Los egipcios creían que el Dios Horus tenía un ojo de sol y otro de luna, y el ojo de luna lloraba lágrimas de vino, que los vivos bebían para dormirse y los muertos para despertarse.
Una vid era el emblema del poder de Ciro, rey de los persas y el vino regaba las fiestas de los griegos y los romanos.
Para celebrar el amor humano, Jesús convirtió en vino el agua de seis tinajas. Fue su primer milagro.


Eduardo Galeano, Espejos. Siglo XXI Editores.

12.10.15



"... O Vento enchia o Mundo. Mal deixava lugar para a tremenda voz das ondas. Mas era o Mar apenas que se ouvia..."

ETHOS


Nas palavras em que o sufixo «ismo» deve representar um reforço, observa-se uma certa pretensão,uma tendência voluntarista e com frequência uma hostilidade a priori. O movimento torna~se tumultuoso à custa da substância. São palavras para sectários, para aqueles que só leram um livro, para aqueles que «juram fidelidade à sua bandeira e se mantêm incondicionalmente seus adeptos», em resumo, para os tipos de representantes e viajantes em lugares-comuns. Acaba quase sempre triste uma conversa com alguém que se apresente como realista. Tal como o idealista em relação à ideia e o egoísta em relação ao eu, aquele tem concepção limitada das coisas. Rotula-se a liberdade. O mesmo se aplica à relação do anarquista para com a anarquia.
Numa cidade onde afluam trinta anarquistas, anunciam-se incêndios e mortes, precedidos de palavras de ordem obscenas. Quando nela habitam trinta anarcas que nem sequer se conhecem, pouco ou nada acontece; a atmosfera purifica-se.
Em que se baseia o erro, pelo qual tantos se sacrificaram e que continuará eternamente a actuar? Se eu matar o meu pai, caio nas mãos do meu irmão. Não se deve esperar da sociedade mais do que do Estado. A salvação está no indivíduo.

O anarca não deve de modo algum, pensar como um progressista. É este o erro do anarquista, e é assim que as rédeas lhe escapam das mãos.

Aqui, registamos mais uma diferença entre o anarquista e o anarca: o anarquista persegue o príncipe como seu inimigo de morte, ao passo que o anarca assume perante ele uma relação de neutralidade objectiva. O anarquista quer matar o rei, enquanto o anarca sabe que o poderia matar … mas para tal teria de haver razões, não de ordem geral, mas pessoais. Se o anarca é simultaneamente historiador, então o monarca representa para ele uma fonte de primeira grandeza

O anarca pode fazer frente ao monarca despreocupadamente, pois sente-se igual a todos, mesmo entre reis. Este estado de espírito fundamental transmite-se ao príncipe, que sente que o observam sem preconceitos. Surge assim uma benevolência mútua, favorável à conversa.


Ernst Jünger, Eumeswil. ed. Ulisseia


8.10.15




What makes a man a man?                  
A friend of mine once wondered.                  
Is it his origins?
The way he comes to life?                  
I don't think so.                  
It's the choices he makes.                
Not how he starts things...                 
...but how he decides to end them.


Hellboy Script



7.10.15

O português que matou por amor

Joaquim Pita Soares, o segundo português condenado à cadeira eléctrica nos EUA (1930).
Matou por amor, disse.
Gazeta de Coimbra, 1930
(Clicar para ler)

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